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O ato na Avenida Paulista: o exílio político de Bolsonaro e as demandas por anistia

Atualizado: 9 de abr. de 2025

A manifestação levanta debates sobre anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, colocando em xeque a estabilidade democrática do Brasil





RS/via Fotos Publicas
RS/via Fotos Publicas

O ato realizado neste domingo (6) na Avenida Paulista, convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, trouxe à tona não apenas o apoio a sua figura política, mas também um debate crucial sobre a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. A manifestação, que contou com a presença de aproximadamente 44,9 mil pessoas, de acordo com a metodologia do Monitor do Debate Político do Cebrap e da ONG More in Common, destaca a persistência de um bolsonarismo radical que segue mobilizando uma parcela significativa da população.


A análise da multidão, realizada por imagens capturadas por drones e processadas por inteligência artificial, oferece um dado objetivo sobre o alcance do ato, que reuniu pessoas de diferentes estados e contou com a presença de governadores, senadores e deputados federais. O ex-presidente, que está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não se limitou a defender a anistia aos envolvidos nos ataques de janeiro, mas também fez duras declarações sobre o futuro das eleições de 2026, colocando-se como protagonista e afirmando que a ausência dele nas urnas seria uma ameaça à democracia.


Em seu discurso, Bolsonaro levantou questões sobre a legitimidade do processo eleitoral, insinuando que a contagem dos votos é um reflexo da "democracia" e acusando qualquer tentativa de limitar sua participação nas eleições de 2026 como uma ameaça ao sistema democrático. Para ele, a exclusão de seu nome nas urnas significaria a imposição de uma "ditadura". Essas declarações, além de soar como um alerta sobre os rumos políticos do país, também revelam o desconforto de um político que, embora inelegível, segue tentando influenciar o debate público e manter sua base ativa e mobilizada.


A proposta de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro é um tema que merece atenção e reflexão. Tal medida, se levada adiante, poderia representar uma distorção da justiça e uma afronta às instituições democráticas. Os atentados contra os prédios dos Três Poderes não foram apenas ataques físicos, mas também ataques ao próprio Estado de Direito, e conceder uma anistia a esses atos seria uma forma de normalizar comportamentos que atentam contra os princípios democráticos. Ao defender tal proposta, Bolsonaro busca reafirmar seu vínculo com aqueles que o consideram injustiçado, mas ao mesmo tempo põe em risco os alicerces da nossa convivência democrática.


É importante observar que o ex-presidente, ao convocar manifestações como a de São Paulo e também a do Rio de Janeiro, busca consolidar uma imagem de resistência, de alguém que continua sendo perseguido pelo establishment político e pelas instituições do poder. No entanto, essa estratégia de polarização, alimentando o discurso de vitimização, apenas aprofunda o racha na sociedade brasileira, gerando ainda mais divisões e incitando o sentimento de "nós contra eles".


A participação de líderes políticos no ato, como governadores e parlamentares, também acende um sinal de alerta sobre a responsabilidade das figuras públicas na manutenção da estabilidade democrática. Ao apoiar um projeto de anistia e um discurso que questiona a legitimidade das instituições, esses líderes contribuem para o fortalecimento de uma narrativa que favorece a radicalização política e desestabiliza o ambiente democrático.


A manifestação de ontem na Avenida Paulista não é apenas um evento de apoio ao ex-presidente Bolsonaro, mas também um reflexo das tensões políticas que ainda marcam o Brasil pós-2022. A defesa da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e as declarações sobre as eleições de 2026 não podem ser vistas apenas como posicionamentos pessoais, mas como movimentos que têm o potencial de mexer com as estruturas do Estado Democrático de Direito. A democracia brasileira, com todas as suas fragilidades, precisa de vigilância constante para que episódios como os de 8 de janeiro não se repitam e que o debate político siga dentro dos limites da civilidade e do respeito às instituições.

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